sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Afinidade

Não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. Não importa o tempo, o espaço, a ausência, os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediante a vida. É a vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro, poucas pessoas descobrem que existe, mas quando encontrado, não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas.
Afinidade é ficar longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem, sensibilizam, sonham...
Afinidade é receber o que vem de dentro com uma aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para. Sentir com e não ter necessidade de explicação do que está sentindo. É olhar e perceber.
Afinidade é um sentimento singular, discreto, forte e independente. Pode existir a quilômetros de distância, mesmo sem conhecer a pessoa e nunca ter tocado nela, mas é adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar...
Afinidade
é retornar à relação no tempo em que parou. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foi apenas a oportunidade dada (tirada) pelo tempo para que a maturação pudesse ocorrer e que cada pessoa pudesse ser cada vez mais.

Afinidade é encontro, não acontece por acaso.
Afinidade só se consegue se existir amor no coração.

Um comentário:

Grasi disse...

Afinidade só se consegue se existir amor no coração.
É isso.
AMO***